4 CAPAS: a trajetória peculiar do livro “Uma Ponte para Istambul”
- filomenalepecki
- 25 de ago.
- 4 min de leitura
Atualizado: 28 de ago.
Quem folheia a edição atual do livro “Uma Ponte para Istambul” Ed. LeYa com a linda capa azul marinho, não faz ideia dos caminhos que o livro percorreu para chegar às livrarias de todo Brasil.

Visitei Istambul num fevereiro nublado e frio de 2004. Fiquei por minha conta fazendo tours guiados enquanto meu marido trabalhava. Foram os 4 dias mais intensos da minha vida em termos de aprendizado histórico e experiências culturais. Quantos impérios se formaram e decaíram ali... Já no avião de volta tive a ideia da história: e se uma historiadora do século XXI, especialista em D. Pedro II viajasse no tempo e se visse de repente confinada em um harém otomano do século XIX? Como o que eu tinha acabado de visitar? Ao menos estaria lidando com meus assuntos preferidos.
Mal iniciei as pesquisas e os primeiros esboços, soube que iríamos morar na Malásia... E lá, por mais que me esforçasse para escrever sobre Istambul, as experiências locais e a vida nova no oriente se impunham. Era hora de viver, não de escrever. Depois de um par de anos, quando tentei recomeçar a escrita, fomos transferidos para a África do Sul... Outro universo fantástico para desbravar. E assim foi que a pesquisa do Istambul foi parar numa sacola meio esquecida até 2015! Daí levei uns 3 anos, com 1 ano de bloqueio, para avançar com o livro.
Nos tempos da África, eu participava de um grupo de leitura internacional com estrangeiras. Elas sempre pediam para eu escrever em inglês para que pudessem ler... E eu fiz a bobagem de tentar! Cheguei até a página 100, pagando uma vizinha americana para revisar, com cupcakes! Daí parei. Jamais vou cometer esse erro de novo. Por mais que sejamos fluentes num idioma, a literatura fala de sentimentos, usa metáforas, compõe imagens, arranca experiências do inconsciente e é infinitamente melhor fazer isso na sua própria língua.
Eis que em outubro de 2019, um amigo diplomata, servindo em Bangladesh, me convida para representar o Brasil no Festival Literário Internacional de Dhaka! Nunca antes um escritor brasileiro tinha passado por lá. Eu estava num luto recente por minha mãe e, a princípio, declinei. Ele insistiu. Para aceitar, eu teria de verter as primeiras 100 páginas para o português, terminar a história e depois verter a parte nova de volta para o inglês... Foi um esforço fenomenal, mas o livro me salvou. Essa urgência me ajudou a focar o pensamento novamente. Luto de mãe é terrível.
E assim, o livro com dedicatória póstuma para minha saudosa mãe, foi pré-lançado para o mundo em inglês! Com um lindo prefácio do Embaixador do Brasil na época, o Il. Emb. João Tabajara (ver abaixo). Encomendei o livro via email com uma secretária do festival e o livro foi impresso às pressas com letra miudinha e alguns erros, nas gráficas primitivas de Old Dhaka, mas saiu. Participei de várias mesas de debate lá. Foi bom, mas intenso.
De volta ao Brasil, aprimorei a história e publiquei o ebook na Amazon. Logo depois registrei o ISBN e imprimi o livro físico também, de forma independente. E o livro surpreendeu! Foi best seller em 2 categorias concorridas da Amazon! Logo, a aventura da Catarina Arzu no espaço/tempo em meio a enigmas arqueológicos foi selecionada pelo selo Ed. LeYa/Carreira Literária e saiu com 2 capítulos a mais em 2023. Ao mesmo tempo foi traduzido e publicado na França!
Mas o que gostei mesmo foi ver um artiguinho com meu nome cercado pela linda grafia bengali no jornal do dia seguinte ao festival... O garçom simpático da embaixada me deu de presente a folha e leu o que estava escrito: basicamente elogios à minha participação e à ousadia de uma brasileira ter escolhido Dhaka para lançar seu livro para o mundo. Eu gostei, claro, e apesar de não conseguir entender nada, guardei o jornal como souvenir...
Maria Filomena Lepecki
Prefácio - Istambul:
A autora, através da persona de uma jovem mulher imersa em profundos questionamentos, nos conduz com elegância e fluidez a um reino de liberdade absoluta. É criatividade em seu
melhor. Sonhando, especulando livre e apaixonadamente, buscando respostas às questões mais fundamentais para explicar não só as maravilhas e mistérios do universo, mas também até para o que nós não compreendemos a partir de nossas vidas limitadas, nunca foi tão eletrizante e cativante ao mesmo tempo. Com Filomena nós revivemos o genuíno espírito grego de curiosidade e liberdade intelectual que inspirou o desenvolvimento da mente
científica, em que nada deve ser excluído ou retido, 'a priori', na busca pela verdade. A autora nos deixa em total suspense ao longo de todas as dimensões da história.
A narrativa e descrições de Filomena são tão precisas, intensas e vívidas que, assim que a protagonista, pertencendo a dois mundos diferentes, inadvertidamente viaja no tempo, nós
também -viajamos para um país, um império de mil cores, mil aromas, gostos e sons. Ela expõe, para nosso deleite, faces de duas culturas, ambas ricas em tradições, costumes e culinárias para nos revelar o quão importante elas são para nossas vidas diárias e ainda assim, frequentemente as tomamos como certas, sem valorizá-las.
Filomena certamente não poderia ter escolhido um país mais misterioso e interessante, com uma cultura ancestral tão poderosa, tendo influenciado profundamente várias nações vizinhas, e, mesmo a uma distância significativa, até contribuído para a própria formação da sociedade brasileira. A forma com que Catarina absorve a nova realidade imposta por sua viagem extraordinária, revela como a sociedade brasileira tem feito com todos os povos que construíram o Brasil moderno: portugueses, africanos, alemães, italianos, poloneses, árabes, turcos, japoneses...
O enredo, assim como todos os elementos da história são tão bem estruturados e interconectados, que nos mantêm magnetizados, interessados e ansiosos ao longo das páginas até a revelação final. Filomena é uma grande contadora de histórias e seu segundo livro é repleto de fatos históricos impressionantes, reflexões profundas e pensamentos complexos que conduzem o leitor a um final, dos mais surpreendentes.
João Tabajara
Embaixador do Brasil




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